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Bate-papo sobre o projeto Restaurando a Mente

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

João 1:1a


No princípio era o Verbo...”
João começa o seu Evangelho, do mesmo modo que a Bíblia começa em Gênesis 1:1. Há muita discussão em qual seria a tradução mais adequada da palavra grega Logos, nas versões mais usadas em português ela foi traduzida como Verbo, na NVI foi traduzida como Palavra. Considerando muitas outras coisas na Bíblia como um todo e em especial no Evangelho segundo João, a tradução Palavra é bem adequada. Nossa palavra de certo modo é sempre um modo de revelação, afinal a boca fala do que está cheio o coração (ver Mateus 12:34). A Revelação é o único modo de conhecermos a Deus, não poderíamos conhecê-lo se Ele não se revelasse a nós. Só podemos conhecer qualquer coisa porque Deus se revelou a nós. Com tudo isso em mente podemos compreender que Cristo é a mais perfeita Revelação de Deus. “Havendo Deus, outrora falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos dias, nos Falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1:1-2). Por isso Cristo fala desse modo com Filipe “Replicou-lhe Filipe: Senhor mostra nos o Pai e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:8-9).

Autor: Ivan Junior

Breves considerações sobre o "Problema do mal"


Quando os incrédulos atacam a fé cristã, provavelmente a questão mais difícil proposta por eles é o chamado “Problema do mal”. O Problema seria basicamente esse, se Deus é bom, e Todo-Poderoso como pode existir o mal? Se ele não pode reter o mal então Ele não é todo poderoso, se Ele pode e não faz então Ele não é bom. Para lidar com essa questão queria destacar apenas alguns pontos.
1. Não precisamos dar desculpas para Deus
O fato de muitos cristãos terem dificuldades para compreender algumas coisas, está no fato delas criarem padrões para Deus que não estão na Bíblia, e depois não conseguirem encaixar o Deus da Bíblia nesse próprio padrão. É importante entendermos que a Bíblia é um livro sobre Deus, que Deus não criou o homem como um objeto para adorar e sim para sua própria Glória.
Dito isto, quando lemos livros como o livro de Jó, ou do profeta Habacuque que lidam com a questão do sofrimento, essa questão não é respondida de modo a dizer que Deus “não sabe” ou que algo fugiu do “Seu controle”, pelo contrário, a Soberania de Deus é realçada.
Isaías diz “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu o SENHOR, faço todas estas coisas” (Isaías 45.7). Porém é importante temos em mente algo, Deus decretar e ter controle sobre o mal é diferente de dizer que Deus possa pecar, um pecado é a transgressão de um mandamento de Deus e para Ele pecar ele teria que determinar que Ele não pudesse fazer algo e então transgredir esse mandamento. Portanto o fato de Deus ter total controle sobre o mal não significa que ele seja mau, como a Bíblia diz tudo que Ele faz é bom e justo por definição.
2. O amor de Deus demonstrado na Sua soberania sobre o mal
Bahnsen, responde a questão do mal[1], dizendo que não há nenhum problema se reconhecermos que pode haver uma razão moralmente boa para Deus ter determinado o mal. Como dissemos anteriormente, não precisamos de desculpas da parte de Deus, “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?!”(Romanos 9.20), porém podemos entender que há um propósito maravilhoso na existência do mal. Como diz Jonathan Edwards[2]:
"É algo apropriado e excelente que a infinita glória de Deus resplandeça; e pela mesma razão, é apropriado que o brilho da glória de Deus seja completo; isto é, que todas as partes de sua glória devam resplandecer, que cada beleza deva ser proporcionalmente fulgurante, a fim de que aquele que olha tenha uma noção adequada de Deus. Não é apropriado que uma glória deva ser excessivamente manifesta , e outra não ...
Assim, é necessário que a aterradora majestade de Deus, sua autoridade e terrível grandeza, justiça e santidade devam ser manifestas. Mas não poderia ser assim , a menos que o pecado e a condenação tivessem sido decretados; ou o fulgor da glória de Deus seria por demais imperfeito, tanto porque essas partes da glória divina não resplandeceriam tanto quanto as outras, e também porque a glória de sua bondade, amor, e santidade seria apática sem elas; não, elas ilustrariam de forma pobre seu fulgor.
Se não for certo que Deus deveria decretar e permitir e punir o pecado, não poderia haver nenhuma manifestação da santidade de Deus pelo ódio ao pecado; ou em, pela sua providência, preferir a piedade [em lugar do pecado]. Não haveria nenhuma manifestação da graça de Deus ou verdadeira bondade, se não houvesse pecado a ser perdoado, ou miséria a ser revertida. Por mais felicidade que ele concedesse, a sua bondade não seria mais estimada ou admirada...
Assim, o mal é necessário, para felicidade maior da criatura, e a perfeição da manifestação de Deus, para a qual ele fez o mundo; porque a felicidade da criatura consiste no conhecimento de Deus, e no senso de seu amor. E se o conhecimento dele é imperfeito, a alegria da criatura deve ser proporcionalmente imperfeita."
Outro ponto a ser considerado, ninguém pode dizer que Deus não se importa com o mal, pois “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1.14). Ainda que seja para manifestar a sua Glória, o que é algo apropriado e excelente como observou Edwards, Deus se fez carne, e sofreu as consequências do pecado através da morte e morte de Cruz.
3. A existência do mal é um problema para o incrédulo
Porém, replicamos ao incrédulo, com que base você afirma que existe o mal? Se não há um padrão perfeito de bondade como revelado pelo próprio Deus como pode existir o mal? A existência do mal é evidência da verdade do Cristianismo. Mesmo os incrédulos “mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os pensamentos, mutualmente acusando-se ou defendendo-se” (Romanos 2.15). Porém há esperança mesmo para eles em Cristo, que não ignora a existência do mal, mas pelo seu sacrifício demonstrou a Glória, Santidade e Justiça do Nosso Deus, permitindo que possamos dizer “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (1 Timóteo 1.15)
Autor: Ivan Junior
Para maior entendimento da questão recomendo os seguintes textos:



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Breves considerações sobre o homossexualismo


Se há uma arma, a qual tem sido usada pelo mundo para atacar a verdadeira Igreja Cristã, essa tem sido a chamada agenda gay. Portanto, cabe a nós como cristãos sabermos como lidar com esse assunto, e nessa postagem faremos algumas considerações em relação ao assunto.
1. O Homossexualismo é pecado
Vemos em Gênesis (Gênesis 1.27) que Deus criou o homem e a mulher, e estabeleceu o casamento entre eles (Gênesis 2.24). Deus condenou Sodoma por esse pecado (Gênesis 18.20-19.29). Em Levíticos o ato de homossexualismo é claramente reconhecido como abominação (Levíticos 18.22). Tudo isso ainda é confirmado no Novo Testamento por Paulo (Romanos 1.26-32; 1 Coríntios 6.9-11).
2. O Fato se alguém nasce ou não assim é irrelevante a questão
"Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe." (Salmo 51.5) Todos nascemos pecadores, essa é a condição de todos os homens (Romanos 3.23), e herdamos essa condição de Adão (Romanos 5.12). Portanto ainda a ciência "provasse"[1] que alguém nascesse assim isso não muda em nada essa questão. Ou alguém diria que a mentira não seria pecado se alguém nascesse mentiroso? O fato de muitos evangélicos se preocuparam em querer provar que ninguém nasce assim, como se isso fizesse diferença mostra o quão Pelagiano[2] eles são.
3. Devemos pregar aos homossexuais e receber os arrependidos em nossas igrejas
Ainda que todos herdemos a condição pecaminosa de Adão, "Se pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo" (Romanos 5.17) .Pouco depois de Paulo falar sobre o pecado do homossexualismo, ele diz "Tais fostes alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1 Coríntios 6.11). Portanto, em Cristo, há esperança para os homossexuais.
Todavia, é importante lembrarmos uma coisa, nenhum cristão se torna totalmente perfeito e santo após converter-se, e não há indicação na Bíblia que o homossexualismo seja diferente de outros pecados. Alguns cristãos veem o homossexualismo de maneira diferente de outros pecados como se a pessoa não se tornasse totalmente santa após converter-se em relação a esse pecado ela seria condenada. Lembremos que na lista de Paulo daqueles que não herdarão o reino de Deus estão avarentos e maldizentes (1 Coríntios 6.10-11). O que quero dizer com isso? Um homossexual que acha que não há nada errado com o que faz, que se entrega aos seus próprios desejos, será condenado assim como qualquer outra pessoa que rejeita a Cristo. Porém aquele homossexual que reconhece seus pecados e entende como isso é uma ofensa a Santidade do Senhor, ainda que possa ter que lutar contra seus desejos, ainda que seja transformado durante toda a sua vida por compreender a salvação como Obra de Cristo e entenda a dependência d'Ele, será Salvo. Lógico, que um grande tempo de caminhada na fé, sem mudanças, pode indicar que nunca houve salvação, mas é importante entendermos que o homossexual possa lutar contra seu pecado durante sua vida, e que dia a dia, como todos nós, ele vai sendo transformado pelo Espírito Santo.
Nosso dever é pregar aos homossexuais, como a todos os outros pecadores, pois "os são não precisam de médico, e sim os doentes"(Mateus 9.12).
Para terminar, queria usar uma ilustração, imagine que um dia você veja uma criança que come do lixo ao lado de um restaurante que você costuma frequentar, você se compadece da criança e dá a ela um lanche comprado no restaurante. Imagine que essa criança jogue esse lanche e continue comendo o lixo. Você pensará que essa criança é louca. A mulher foi o mais especial presente feito ao homem (Gênesis 2.20-24), pois foi feita da nossa própria carne, e também foi feita a imagem de Deus (Gênesis 1.27), de modo que só ela completa o homem e vice-versa. Na corrupção do coração do homem, ele prefere negar o mais especial presente de Deus e seguir seus próprios caminhos, como o filho pródigo em sua loucura ele desejava comer das alfarrobas que os porcos comiam (Lucas 15.16), mas a Graça de Deus pode fazer o homem tolo perceber que com o nosso Deus há "pão com fartura" (Lucas 15.17) e ainda que o homem tenha gastado toda sua vida na loucura do pecado, a Bíblia nos mostra como Deus pode nos receber, sendo ainda assim justo pelo preço que Cristo pagou na cruz, "Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se." (Lucas 15.20-24).
Autor: Ivan Junior


[1] A Ciência é incapaz de provar qualquer coisa, no futuro esperamos postar alguns textos relativos a essa questão, um texto interessante sobre esse assunto segue nesse link: http://www.monergismo.com/textos/apologetica/visao_biblica_ciencia_crampton.pdf
[2] No caso, quis dizer que muitos cristãos negam que herdemos o pecado original de Adão, creem que o homem seja naturalmente bom, mas isso naturalmente não é o que a Bíblia ensina.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A segunda beatitude – Arthur W. Pink


Bem-aventurado os que choram, porque serão consolados” [1] [2] [3]
Mateus 5.4
O pranto é detestável e penoso para a pobre natureza humana. Do sofrimento e da tristeza nossos espíritos instintivamente se afastam. Por natureza nós procuramos a sociedade dos alegres e jubilosos. Nosso texto apresenta uma anomalia ao não regenerado, além de uma doce música aos ouvidos do eleito de Deus. Se “bem-aventurado” porque eles “choram”? Se eles “choram” como eles podem ser “bem -aventurados”? Somente o filho de Deus tem a chave para esse paradoxo. Quanto mais nós ponderamos em nosso texto mais nós somos constrangidos a exclamar, “Jamais alguém falou como este homem[4] Bem-aventurado [felizes] os que choram é um aforismo que está em completa variância com a lógica do mundo. O homem tem em todos os lugares e em todas as épocas considerado o prospero e alegre como feliz, mas Cristo pronuncia alegres aqueles que são pobres em espírito e que choram.
Agora é óbvio que não e toda espécie de choro que o texto se refere aqui. Há uma “tristeza do mundo que produz morte” (2 Coríntios 7.10). O choro o qual Cristo promete conforto deve ser restrito ao que é espiritual. O choro que é abençoado é o resultado da percepção da santidade e bondade de Deus que brota em um senso de depravação de nossas naturezas e uma enorme culpa de nossa conduta. O choro o qual Cristo promete Divino conforto é um choro por nossos pecados com uma tristeza piedosa.
As oito beatitudes são arranjadas em quatro pares. Prova disso será fornecida conforme nós prosseguirmos. A primeira das series é a benção que Cristo pronuncia sobre aqueles que são pobres em espírito, o qual nós tomamos como uma descrição daqueles despertados com um senso de seu próprio vazio e insignificância. Agora a transição da tal pobreza ao choro é fácil deduzir. Na realidade, 0 choro segue tão próximo daquilo que é de verdade o acompanhante da pobreza.
O choro que é aqui referido é mais que uma manifestação de privação, aflição, ou perda. É o choro pelo pecado.
É o lamento por sentir a pobreza de nosso estado espiritual, e pelas iniquidades que nos separaram de Deus, lamento pela muito pobre moralidade na qual nos orgulhávamos, e na justiça própria em qual nos confiávamos; lamento pela rebelião contra Deus, e hostilidade a Sua vontade; e tal choro sempre caminha lado a lado com a pobreza de espírito (Dr. Pierson).
Uma notável ilustração e exemplificação do espírito sobre o qual o Salvador pronunciou essa bem-aventurança é encontrada em Lucas 18.9-14. Há um vivido contraste o qual é apresentado a nossa visão. Primeiro, nos é mostrado um hipócrita fariseu olhando para Deus e dizendo “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”. Isso pode tudo ser verdade como ele observou, porém esse homem desceu para sua casa em um estado de condenação. Suas roupas finas eram trapos, suas vestes brancas eram imundas, embora nos não o conheçamos. Então nos é mostrado o publicano, ficava longe, na linguagem do Salmista, ele estava tão perturbado com suas iniquidades que ele não era capaz de ver (Salmo 40.12). Ele ousava não levantar seus olhos ao céu, mas batia em seu peito. Consciente da fonte de corrupção no seu interior, ele clamou “Ó Deus tenha misericórdia de mim, pecador!” (ACF[5]). Esse homem desceu a sua casa justificado, porque ele era pobre em espírito e chorou por seus pecados.
Aqui, então, são as primeiras marcas de nascimento dos filhos de Deus. Aquele que nunca venho a ser pobre em espírito e que nunca soube o que é realmente chorar pelos pecados, ainda que pertença a uma igreja ou seja um oficial nela, ele nem viu nem entrou no Reino de Deus. Quão agradecido o leitor Cristão deve ser ao grande Deus condescender em habitar no humilde e contrito coração! Essa é a maravilhosa promessa feita por Deus mesmo no Velho Testamento (por Ele, em cuja a visão dos céus não é pura, que não pode-se encontrar em qualquer templo que o homem tenha construído para Ele, por mais Maravilhoso que seja, um lugar próprio para Sua habitação – veja Isaías 57.15 e 66.2)
Bem aventurado os que choram” Embora a referência primária seja ao choro inicial comumente chamado de convicção do pecado, ele não é de modo nenhum limitado a isso.  Choro é sempre uma característica do estado cristão normal. Há muita coisa que o crente tem de lamentar. A praga de seu próprio coração o faz chorar, “Desventurado homem que eu sou” (Romanos 7.24). A incredulidade que “tão de perto nos rodeia” (Hebreus 12.1 - ACF) e pecados que nós cometemos, os quais são mais numerosos que os cabelos de nossa cabeça, são uma contínua tristeza para nós. A esterilidade e inutilidade de nossas vidas faz-nos suspirar e chorar. Nossa propensão a desviar-se de Cristo, nossa falta de comunhão com Ele, e a superficialidade de nosso amor por Ele leva-nos a pendurar nossas harpas no salgueiro[6]. Mas há muitas outras causas para chorar que assaltam os corações cristãos: em cada palmo a religião hipócrita que tem forma de piedade enquanto nega o poder dela (2 Timóteo 3.5); a terrível desonra feita a verdade de Deus por falsas doutrinas ensinadas em incontáveis púlpitos; as divisões entre o povo do Senhor; e contenda entre irmãos.  A combinação dessas fornece ocasião para um continuo lamento do coração. A terrível perversidade no mundo, o desprezo por Cristo, os incalculáveis sofrimentos humanos fazem nos gemer com nós mesmos. Quanto mais perto o cristão vive de Deus, mais ele lamenta tudo que O desonra. Isso é uma experiência comum do verdadeiro povo de Deus. (Salmo 119.53, Jeremias 13.17; 14.17; Eze 9.4).
serão consolados” Por essa palavras Cristo se refere primeiramente a remoção da culpa que sobrecarrega a consciência. Isso é efetuado pela aplicação do evangelho da Graça de Deus pelo Espírito aquele que foi convicto de sua necessidade terrível de um Salvador. O resultado é um senso de liberdade e total perdão pelos méritos do sangue expiatório de Cristo. Esse Divino conforto é “a paz de Deus, que excede todo entendimento” (Filipenses 4.7), preenchendo o coração daquele que esta agora seguro que ele é “aceito no Amado” (Efésios 1.6[7]). Deus fere antes de curar, e humilha antes d'Ele exaltar. Primeiro há uma revelação de Sua justiça e santidade, então ele faz conhecida Sua misericórdia e graça.
As palavras “serão consolados” também recebem um constante cumprimento na experiência do Cristão. Embora ele chore suas falhas inexcusáveis e as confesse a Deus, contudo ele é confortado pela garantia que o sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, o limpa se todo pecado (1 João 1.7). Embora ele gema pela desonra feita a Deus por todos os lados, porém ele é confortado pelo conhecimento que o dia esta rapidamente se aproximando quando Satanás será lançado no inferno para sempre e os santos irão reinar com o Senhor Jesus nos “novos céus, e nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pedro 3.13). Embora a mão corretiva do Senhor esteja frequentemente colocada sobre ele e embora “toda disciplina, com efeito, no momento não pareça ser motivo de alegria, mas de tristeza” (Hebreus 12.11), ainda assim, ele é consolado pela percepção que isso tudo esta trabalhando para ele “eterno peso de glória acima de toda comparação” (2 Coríntios 4.17). Como o Apóstolo Paulo, o crente que está em comunhão com o Senhor pode dizer, “entristecido, mas sempre alegre” (2 Coríntios 6.10). Ele pode frequentemente ser chamado para beber das amargas águas de Mara[8], mas Deus plantou próximo uma árvore para adoçá-las. Sim, pesarosos cristãos são confortados mesmo agora pelo Divino Consolador: pelas ministrações de Seus servos, pelas palavras encorajadoras de companheiros cristãos, e (quando essas coisas não estão à mão) pelas preciosas promessas da Palavra sendo trazidas para casa pelo poder do Espírito nos seus corações de fora dos depósitos de suas memórias.
Serão consolados” O melhor vinho é reservado para o fim. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5 ACF). Durante a longa noite de sua ausência, crentes foram chamados a companhia com Ele que foi o Homem de Dores. Mas está escrito, “se com Ele sofremos, com Ele também seremos glorificados” (Romanos 8.17). Que conforto e alegria será nossa, quando despontar a manhã sem nuvens! Então “deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35.10). Então serão cumpridas as palavras da grande voz celestial em Apocalipse 21.3, 4 (ACF): “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Autor: Arthur W. Pink
Tradução: Ivan Carlos Parecy Junior
Original: Aqui



[1] Você pode ler a primeira beatitude nesse link: http://www.monergismo.com/textos/comentarios/1_beatitude_pink.htm
[2] Salvo indicação em contrário as citações bíblicas são da versão Almeida Revista e Atualizada.
[3] Originalmente não há notas de rodapé, essas foram adicionadas pelo tradutor para facilitar o entendimento do leitor.
[4] João 7.46.
[5] Quando for usada a sigla ACF, a versão utilizada foi a Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
[6] Para maior entendimento da expressão veja o Salmo 137.
[7] Nesse caso fiz tradução direta da versão usada pelo autor a King James.
[8] Veja Êxodo 15.22-27

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Oração a Trindade - Agostinho de Hipona


Oração à Trindade

Senhor nosso Deus, nós cremos em ti, Pai, Filho e Espírito Santo. Pois a Verdade não teria dito: Ide, batizai a todos os povos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28:19), se não fosses Trindade. Nem nos ordenarias que fôssemos batizados, ó Senhor nosso Deus em nome de alguém que não é o Senhor Deus. Nem a voz divina diria: Ouve, ó Israel, o Senhor teu Deus é o único Deus (Dt 6:4), se não fosses Trindade e, ao mesmo tempo, o único senhor Deus. E se tu, Deus Pai, fosses Pai e ao mesmo tempo fosses Filho, teu Verbo, Jesus Cristo; e fosses o mesmo Dom, que é o Espírito Santo, não leríamos nas Escrituras da Verdade: enviou Deus o se Filho (Gl 4:4 e Jo 3:7). Nem tu, ó Filho Unigênito, dirias do Espírito Santo: aquele que eu vos enviarei da parte do Pai (Jo 15:26).

Dirigindo todo meu empenho por essa regra de fé, na medida de minhas forças e o quanto me tornaste capaz, eu te procurei e desejei ver pelo entendimento o que creio. Muito discuti e trabalhei.

Ó Senhor meu Deus, única esperança minha, ouve-me, a fim de que jamais me entregue ao cansaço e não mais queira te buscar, mas ao contrário que sempre procure tua face, como todo o ardor (Sl 104:4). Fortalece-me aquele que te busca, tu que permitiste seres encontrado, e acumulaste de esperança de sempre mais te encontrar.

Eis em tua presença a minha força e a minha fraqueza: conserva a força e cura a fraqueza. Na tua presença, minha ciência e minha ignorância. Lá onde me fechaste, abre-me ao bater. Que de ti me lembre, que te compreenda e que te ame! Faze-me crescer nesses dons, até que restaures totalmente.

Sei que está escrito: no muito falar não faltará pecado (Pv 10:19). Mas, oxalá, falasse eu tão-somente para anunciar tua palavra e dirigir-te meus louvores! Não apenas evitaria o pecado, mas alcançaria bons merecimentos, ainda que assim me excedesse no falar. Pois aquele homem, por ti amado, não teria aconselhado cometer pecado a seu filho e irmão na fé, ao qual escreveu dizendo: importuno (IITm 4:2).

Poder-se-á dizer que não falou muito quem não cessava, Senhor, de anunciar tua Palavra, não somente no momento oportuno, mas também no inoportuno? Não teria sido certamente muito, mas o necessário. Livra-me, ó Deus, do muito falar, o que me atormenta, no interior de minha alma, mísera, na tua presença, mas que se refugia em tua misericórdia.

Pois não me calam os pensamentos, mesmo calando-me as palavras. E senão pensasse somente no que é de teu agrado, não te suplicaria que me livrasses do muito falar. Mas muitos de meus pensamentos, tu os conheces, são pensamentos humanos, por isso mesmo vãos (Sl 93:11). Concede-me não e neles não me demorar como sonhador. Não tenha sobre mim a força de levar-me a agir impulsionado por eles, mas com teu auxílio, minhas decisões estejam protegidas de suas investidas e defendida esteja minha consciência.

Um sábio, falando de ti em seu livro, conhecido pelo nome de “Eclesiástico”, diz: Por muito que digamos, muito ficará por dizer, mas o resumo de tudo o que e pode dizer é: que Deus é tudo ( Eclo 42:29).

Por tanto, quando chegarmos à tua presença, cessará o muito que dissemos, mas muito nos ficará por dizer e tu permanecerás só, tudo em todos (ICo 15:28), e então eternamente cantaremos um só cântico, louvando-te em um só movimento, em ti estreitamente unidos.
Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo o que disse de ti nestes livros, de ti vem. Reconheçam-no os teus, e se algo há meu, perdoa-me e perdoem-me os teus. AMÉM.

A Trindade, Agostinho de Hipona, 354-430, pg. 555-557, Editora Paulus.

sábado, 28 de julho de 2012

Comentário de Gálatas 3:6 - João Calvino





“Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Gálatas 3:6)

É mister primeiramente indagar o que Paulo pretendia dizer com o vocábulo fé; em segundo lugar. O que significa Justiça; e, em terceiro lugar, por que a fé é representada como a causa da justificação. Fé, neste versículo, não deve ser entendida como um tipo de convicção que os homens podem ter a respeito da verdade de Deus. Embora Caim tenha exercido inúmeras vezes fé no Deus que pronunciou castigo contra ele, essa mesma fé não lhe foi de qualquer proveito para obtenção da justiça. Abraão foi justificado mediante o crer, porque, ao receber de Deus uma promessa de bondade paternal ele a aceitou como infalível. A fé tem uma relação a um respeito tal pela Palavra de Deus que pode capacitar os homens a descansar e a confiar em Deus.

No tocante à palavra justiça, é preciso observar a fraseologia de Moisés. Ao afirmar que Abraão “creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15:6), ele queria dizer que o justo é aquele indivíduo reputado como tal aos olhos de Deus. Ora, visto que os homens não possuem qualquer justiça em si mesmo, só podem obtê-la por imputação, porque Deus reputa como justiça a fé dos que crêem. Somos, pois informados de que nossa justificação é mediante a fé (Rm 3:21; 5:1), não porque a fé infunde em nós um hábito ou uma qualidade, mas porque somos aceitos por Deus.

Mas, por que à fé recebe tamanha honra, a ponto de ser chamada a causa de nossa justificação: Primeiramente, temos de observar que a fé é apenas uma causa instrumental. Falando de modo restrito, a nossa justiça não é nada mais do que a nossa aceitação graciosa por parte de Deus, a aceitação sobre a qual temos falado, nós a recebemos por meio da fé. Assim, ao atribuirmos à fé a justificação do homem, não estamos tratando da causa principal, mas apenas indicando o caminho pelo qual os homens podem chegar à verdadeira justiça. Portanto, esta justiça não é uma qualidade inerente nos homens, e sim o dom de Deus. Esta justiça só pode ser desfrutada por meio da fé. Tampouco é uma recompensa justa devida à fé, porque recebemos por meio da fé o que Deus nos dá gratuitamente. Todas as expressões semelhantes à que agora citamos têm o mesmo sentido: somos “justificados gratuitamente por sua graça” (Rm 3:24); Cristo é nossa justiça. A misericórdia de Deus é a causa de nossa justiça. A morte e a ressurreição de Cristo obtiveram a justiça por nós. A justiça é outorgada por meio do evangelho. Obtemos a justiça pela instrumentalidade da fé.

Isto revela o ridículo do erro de tentar reconciliar as duas proposições: que somos justificados pela fé, ao mesmo tempo, pelas obras. Pois aquele é justo “pela fé” (Hc 2:14; Hb 10:38) é pobre e destituído de justiça pessoal, descansando tão-somente na graça de Deus. Esta é a razão por que Paulo conclui na Epístola aos Romanos, que Abraão, tendo obtido a justiça pela fé, não tinha qualquer direito de se gloriar diante de Deus (Rm 4:2). Pois não se diz que a fé lhe foi imputada como parte da justiça, mas simplesmente como justiça, de modo que a sua fé era verdadeiramente a sua justiça. Além disso, a fé não olha para qualquer outra coisa, a nãos ser para misericórdia de Deus e para o Cristo morto e ressurreto. Todo o mérito das obras é excluído como causa da justificação, quando a justiça é atribuída à fé. Pois embora a fé se aproprie da imerecida bondade de Deus, de Cristo com todas os seus benefícios, do testemunho de nossa adoção contido no evangelho, ela é universalmente contrastada com a lei, com o mérito das obras e com a dignidade humana. A noção dos sofistas (de que a fé é contrastada somente com as cerimônias) pode ser reprovada imediatamente e sem dificuldades, com base no contexto desta passagem. Portanto, lembremo-nos de que aqueles que são justos mediante a fé são justos fora de si mesmos, ou seja, em Cristo.

Isto também serve como refutação do ardiloso sofisma de pessoas que evitam o raciocínio de Paulo. Moisés, dizem eles, dá à bondade o nome de justiça; assim, a sua intenção era apenas dizer que Abraão foi reputado como um homem bom, em virtude de ter crido em Deus. Hoje, espíritos levianos, levantados por Satanás, esforçam-se para minar, por meio de calúnias indiretas, a infalibilidade da Escritura. Paulo sabia que Moisés não estava ministrando a rapazes lições de gramática, e sim falando sobre a decisão pronunciada por Deus. Paulo entende mui adequadamente o termo justiça em seu sentido teológico. Pois não é no sentido de bondade aprovada entre os homens que somos justos aos olhos de Deus, mas somente onde prestamos obediência perfeita à lei.

À Justiça é contrastada com a transgressão da lei, mesmo em seus menores mandamentos. E, visto que não temos nada em nós mesmo. Seus no-la outorga gratuitamente. Aqui, porém, os judeus objetavam que Paulo torcia as palavras de Moisés para adequá-las ao seu propósito pessoal; porquanto Moisés não estava falando de Cristo ou da vida eterna, mas apenas de uma promessa terrena. Os papistas não diferem muito dos judeus, pois, ainda que não ousem atacar a pessoa de Paulo, destroem totalmente o significado de suas palavras. Respondo que Paulo toma por inquestionável o que constitui um axioma para os crentes: quaisquer promessas que o Senhor fez a Abraão eram complementos da primeira promessa: “Eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande” (Gn 15:1). Quando Abrão ouviu a promessa: “Multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia da praia no mar” (Gn 22:17), ele não limitou a sua visão a essa palavra, mas a incluiu na graça da adoção, como parte de um todo. E, de modo semelhante, todas as outras promessas foram vistas por ele como um testemunho da bondade paternal de Deus, que fortaleceu sua esperança de salvação. Os incrédulos diferem dos filhos de Deus neste aspecto: enquanto também desfrutam dos benefícios divinos, devoram tais benefícios como animais e não olham para o alto. Os filhos de Deus, por outro lado, conscientes e que todos os seus benefícios são santificados pelas promessas, vêem nos benefícios a providência de Deus como Pai deles. A sua atenção é sempre dirigida à esperança de vida eterna, pois começam do fundamento, ou seja, a fé em sua adoção. Abraão foi justificado não meramente porque creu que Deus multiplicaria sua descendência (Gn 22:17), mas porque recebeu a graça de Deus, confiando no Mediador prometido, em quem, como Paulo declara em outra epístola: “Quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus” (2 Co 1:20).

Fonte: Série Comentários Bíblicos – Gálatas, João Calvino, Editora Fiel, 2010, Pg. 76-79.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Álcool e a questão do escândalo


E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandaliza-lo.” (1 Coríntios 8.13)
No capítulo 14 da epístola aos Romanos, e na Primeira epístola aos Coríntios no capítulo 8 e dos versos 14 a 33 do capítulo 10, Paulo fala da preocupação que devemos ter em agir de tal modo que não leve nosso irmão a se escandalizar.
Quando se trata da questão do consumo do álcool, esse é o ponto que costuma gerar mais discussões. Está claro na Bíblia, ao contrário do que muitos crentes pensam, que o Senhor “Do alto de tua morada, regas os montes; a terra farta-se do fruto de tuas obras. Fazes crescer a relva para os animais, e as plantas para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão, o vinho que alegra o coração do homem” (Salmo 104.14-15). Além disso, Cristo transformou a água em vinho (ver João 2.1-14). Portanto antes de considerarmos a questão do escândalo, a Bíblia de modo algum proíbe o consumo de bebidas alcoólicas. Todavia, também é igualmente claro que o consumo exagerado é pecado “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias.” (1 Pedro 4.3). "E não vos embriagueis com vinho" (Efésios 5.8)."Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices" (Romanos 13.13).  
Agora o ponto que gostaria de discutir é esse, quando beber moderadamente é pecado, quando deve-se levar em conta a questão do escândalo? Primeiro há aqueles que com base na ideia do escândalo creem que o cristão nunca deve beber na frente de outras pessoas, e de preferência deve-se abster totalmente do álcool. Outros em compensação, considerando que o débil está errado em não compreender que eu posso beber e que eu não devo ser escravo da opinião dele e deixa-lo na ignorância, consideram que sempre posso beber moderadamente. Será que alguns desses pontos estão corretos?
Confesso que eu sou mais tendente à primeira posição, mas aqueles que defendem que sempre é correto consumir bebidas alcoólicas moderadamente estão certos em dizer que o débil está errado e que não devo deixar de beber moderadamente deixando sempre aquele que é mais ignorante nessa ignorância, mesmo porque também devo buscar o crescimento no conhecimento do meu irmão, não posso fazer ele pensar que beber moderadamente é pecado quando na verdade não é. Mas igualmente não podemos descartar o que Paulo diz, existe sim o contexto onde minha atitude pode escandalizar o meu irmão, e com certeza o consumo de álcool se adequa nesse contexto muitas vezes, essa é a mesma atitude de alguns da igreja de corinto que provavelmente se orgulhavam no seu conhecimento e prejudicavam os seus irmãos. “E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais” (1 Coríntios 8.12). Apesar de como já falei anteriormente ter ser mais tendente por assim dizer ao primeiro posicionamento, ambas as atitudes biblicamente falando estão erradas.
Porém considerando tudo isso, como saber quando devo beber ou não beber (moderadamente é claro, em excesso é sempre errado!). Creio que dois versículos localizados bem no contexto onde Paulo fala sobre a questão de cuidado para não levar nosso irmão ao escândalo nos respondem essa questão. “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos para o Senhor morremos. Quer pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14.8). “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a Glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).
Percebam, que posso tanto beber quanto deixar de beber para minha glória. Se você der uma olhada no capítulo 8 de 1 Coríntios, verá que os Coríntios por achar que sabiam muito, não se preocupavam se a atitude deles levasse o irmão a perecer, eles de certo modo demonstravam que poderiam comer comida sacrificada a ídolo sem se preocupar porque tinham conhecimento que isso não era errado. “Eu como porque sei que nada há de errado com isso”. Não é atoa que nesse sentido Paulo fala que o “saber ensoberbece”. Há muitos que para demonstrarem seu conhecimento de que nada há de errado em beber, ainda que saibam que há irmãos imaturos que podem não reagir bem a essa atitude, bebem sem se preocupar. Mas como o foco deles é demonstrar o “conhecimento deles” ou em outros casos como eles são legais, modernos, contextualizados, etc., eles acabam não se importando com o irmão que pode se escandalizar, vejamos que essa é uma atitude que além de egocêntrica é soberba, não há louvor a Deus em uma atitude dessa natureza, o homem que age assim busca louvor para si mesmo.
Todavia, é possível não beber para sua própria glória, se eu faço isso para demonstrar uma “espiritualidade superior” certamente faço isso para minha glória apenas. Lembram-se do fariseu que jejuava 2 vezes por semana (veja Lucas 18.9-14), não havia mandamento nesse sentido na Bíblia (não nessa frequência!), porém ele usava isso para se demonstrar como espiritual e buscar a glória dos homens. Não é possível ir além da lei de Deus, não se pode ir além do que é perfeito, os fariseus criavam mandamentos estranhos a Bíblia enquanto descumpriam vários outros. Podemos agir como os fariseus usando algo que não está na lei para tentar demonstrar como somos espirituais, certamente é mais fácil não beber do que deixar de mentir ou de cobiçar, portanto quando o “não beber” é focado em nós é pecado do mesmo modo.
Por isso, para responder adequadamente essa questão “Quando devo consumir bebidas alcóolicas?”, a resposta mais adequada seria “quando só Deus será glorificado com isso”[1]. Se você for beber em um momento onde pode desfrutar da comunhão e daquilo que Deus criou sem levar teus irmãos a prejuízo então beba, se você for deixar de beber em certa ocasião não porque isso te faça “mais crente”, mas porque você crê que há pessoas que podem compreender errado isso e serem levadas ao engano, então não beba. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31) “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14.17).
Autor: Ivan Junior


[1] Compreendo que há pessoas que justificam quase tudo que fazem dizendo que fazem isso para a Glória de Deus, porém você só agirá para a Glória de Deus, se agir de acordo com a Lei d'Ele e se levar as pessoas a olharem para Ele e não para você.