PodCast 1#

Bate-papo sobre o projeto Restaurando a Mente

This is default featured slide 3 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.

This is default featured slide 4 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.

This is default featured slide 5 title

Go to Blogger edit html and find these sentences.Now replace these sentences with your own descriptions.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Buscando e encontrando - Lloyd-Jones


(...)
Não encontramos qualquer dificuldade para demonstrar que essa declaração[1], longe de ser uma promessa universal, mediante a qual deus tenha se comprometido a fazer por nós qualquer coisa que porventura Lhe peçamos, na verdade é muito mais abrangente do que isso. Agradeço a Deus – e permita-me dizê-lo francamente -  sim, agradeço a Deus que Ele não está disposto a fazer qualquer coisa que eu tenha oportunidade de solicitar-Lhe; e afirmo isso com base em minha própria experiência no passado. Em minha vida anterior, tal como sucede em todos os outros, com frequência fiz a Deus certos pedidos; tenho pedido que Deus faça determinadas coisas, as quais , na oportunidade, eu muito desejava e cria fossem as melhores para mim. Mas agora, nas atuais circunstâncias em que vivo, volvendo os olhos para o passado, assevero que estou profundamente grato ao Senhor por Ele não me haver concedido certas coisas que eu Lhe havia pedido, mas antes, Ele preferiu fechar certas portas diante de mim. Naquelas ocasiões eu não entendi mas agora entendo e estou agradecido ao Senhor pelo que Ele fez. Portanto, agradeço a Deus que essa não é uma promessa universal e absoluta, e que Deus não haverá de proporcionar-me cada desejo e solicitação que eu expuser diante d’Ele. Deus tem um caminho muito melhor do que isso para nós,...
Fonte: LLOYD-JONES, D.M. Estudos no sermão do monte. São Jose dos Campos: Editora Fiel. 4º Ed. 1999. p. 475.
Autor: Lloyd-Jones


[1] Declaração contida em Mateus 7.7-11.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Biografia George Whitefield – J. C. Ryle (Parte 5)


Com a idade de 22 anos, Whitefield foi admitido às Santas Ordens pelo Bispo Benson de Gloucester, no Domingo da Santíssima Trindade, em 1736. Sua ordenação não resultou da sua própria busca. O bispo ouviu de Lady Selwyn e de outros a respeito do seu caráter, mandou buscá-lo e deu-lhe cinco guinéus para comprar livros, oferecendo-se para ordená-lo quando ele desejasse, embora tivesse apenas 22 anos de idade. Esta oferta inesperada o alcançou quando ele estava cheio de escrúpulos a respeito da sua própria condição para o ministério. Aquilo desfez as amarras e o levou a tomar uma decisão. ‘Eu comecei a pensar' , diz ele, ‘que se continuasse a resistir, eu lutaria contra Deus'.
O primeiro sermão de Whitefield foi pregado na própria cidade onde ele nasceu, na Igreja de Sta. Mary-le-Crypt, em Gloucester. A sua própria descrição é o melhor relato que pode ser dado: ‘Domingo passado, de tarde, eu preguei meu primeiro sermão, na Igreja de Sta. Mary-le-Crypt, onde fui batizado e também pela primeira recebi o sacramento da Ceia do Senhor. Curiosamente, como você pode facilmente conjecturar, isto atraiu uma grande congregação na ocasião. A visão, à princípio, atemorizou-me um pouco. Mas fui confortado com um sentimento sensível ao meu coração da presença divina, e logo descobri a indizível vantagem de ter sido acostumado a falar em público quando garoto na escola, e de exortar prisioneiros e pessoas pobres nas suas casas quando na Universidade. Por meio disso fui guardado de ser demasiadamente desencorajado. Quando eu prosseguia percebi um fogo se acender, até que por fim, embora tão jovem e cercado por uma multidão daqueles que me conheciam desde os dias da minha meninice, eu acredito que fui habilitado a pregar o Evangelho com algum grau de autoridade. Alguns poucos escarneceram, mas a maioria parecia subitamente impressionada; e eu ouvi que uma queixa foi feita ao bispo, de que eu havia levado quinze pessoas à loucura com o meu primeiro sermão! O digno prelado desejou que a loucura não viesse a ser esquecida antes do próximo domingo.'
Quase que imediatamente após sua ordenação, Whitefield foi para Oxford e obteve seu grau de Bacharel em Artes. Ele então começou sua vida ministerial regular assumindo deveres temporários na Tower Chapel em Londres. Enquanto servia ali, pregou continuamente em muitas igrejas de Londres, e entre outras, nas igrejas paroquiais de Islington, Bishopsgate, Sto. Dunstan, Sta. Margaret, Westminster, Ibow, Cheapside. Desde o início ele obteve um grau de popularidade tal, que nenhum pregador antes ou desde então provavelmente jamais alcançou. Quer em dias de semana ou domingos, onde quer que ele pregasse as igrejas lotavam e uma grande sensação era produzida. A grande verdade é que um pregador extemporâneo e realmente eloqüente, pregando o puro Evangelho com os dons de voz e de maneiras não usuais, era naquele tempo uma completa novidade em Londres. As congregações eram tomadas de surpresa e arrebatadas. De Londres ele foi transferido por dois meses para Dummer, numa pequena paróquia rural em Hampshire, perto de Basingstoke. Esta era uma esfera de ação totalmente nova, e ele parecia como que um homem enterrado vivo entre aquele povo pobre e iletrado. Mas cedo ele adaptou-se a situação, e concluiu posteriormente que colheu muito proveito das conversas que teve com os pobres. De Dummer ele aceitou um convite, o qual lhe havia sido feito com insistência pelos irmãos Wesley para visitar a colônia de Geórgia na América do Norte, para ajudar no cuidado de uma casa de órfãos que havia sido estabelecida perto de Savannah para filhos de colonizadores. Após pregar por alguns poucos meses em Gloucestershire, e especialmente em Bristol e Stonehouse, ele viajou para América no segundo semestre de 1737, permanecendo lá por cerca de um ano. As coisas relacionadas com esta casa de órfãos, deve-se observar, ocuparam muito da sua atenção desde este período da sua vida até a sua morte. Apesar de bem intencionado, parece ter sido uma decisão de questionável sabedoria, e certamente acarretou a Whitefield um mundo de ansiedade e responsabilidade até o fim de seus dias.
Whitefield retornou da Geórgia na segunda parte do ano de 1738, em parte para obter as ordens do sacerdote, que lhe foram conferidas pelo seu antigo amigo, o Bispo Benson, e em parte para tratar de negócios relacionados com a casa de órfãos. Ele cedo descobriu, entretanto, que a sua posição não era mais a mesma de antes de haver viajado para a Geórgia. O grosso do clero não lhe era mais favorável e olhavam-no com suspeitas, como um entusiasta e um fanático. Eles estavam escandalizados principalmente por causa da pregação da doutrina da regeneração ou do novo nascimento, como algo que muitas pessoas batizadas necessitavam grandemente! O número de púlpitos aos quais ele tinha acesso rapidamente diminuiu. Os guardiões da igreja, os quais não tinham olhos para a bebedeira e impureza, ficaram cheios de intensa indignação sobre o que eles chamavam de ‘violação da ordem'. Bispos que podiam tolerar o Arminianismo, Socinianismo e Deísmo, encheram-se de indignação contra um homem que declarava plenamente a expiação de Cristo e a obra do Espírito Santo, e começaram a denunciá-lo abertamente. Para abreviar, deste período da sua vida em diante, o campo de utilidade de Whitefield dentro da Igreja da Inglaterra estreitou-se rapidamente de todos os lados.
O fato que neste tempo provocou uma reviravolta em todo o curso do ministério de Whitefield foi sua adoção do sistema de pregação a céu aberto. Observando que milhares em todo lugar não freqüentavam locais de culto, gastavam seus domingos na ociosidade ou no pecado e não eram alcançados pelos sermões pregados dentro das paredes dos templos, ele resolveu, num espírito de ofensiva santa, ir atrás deles ‘nas ruas e becos', de acordo com o princípio de seu Mestre, e ‘compeli-los a entrar'. A sua primeira tentativa em fazer isso foi entre os mineiros de carvão em Kingswood, perto de Bristol, em fevereiro de 1739. Depois de muita oração, ele foi um dia para o monte Hannam, colocou-se de pé sobre o monte, e começou a pregar a aproximadamente uma centena de mineiros, baseado em Mateus 5:1-3 . Logo a coisa tornou-se conhecida. O número de ouvintes rapidamente aumentou, até que a congregação contava com muitos milhares. Seu próprio relato da conduta destes mineiros de carvão negligenciados, os quais nunca haviam estado em uma igreja nas suas vidas, é profundamente comovente: ‘Não tendo', escreve ele a um amigo,‘nenhuma justiça própria para renunciar, eles ficavam felizes ao ouvir de um Jesus, o qual era um amigo de publicanos, e que não veio chamar os justos, mas pecadores ao arrependimento. A primeira vez que descobri que estavam sendo afetados foi através da visão dos sulcos brancos feitos por suas lágrimas, que rolavam abundantemente das suas faces negras, visto que haviam saído das suas minas de carvão. Centenas deles foram logo levados a uma profunda convicção, a qual, foi comprovado, terminou felizmente em uma sadia e total conversão. A mudança era visível a todos, apesar de alguns terem escolhido atribuí-la a qualquer outra coisa que não ao dedo de Deus. Visto que a cena era totalmente nova, ela freqüentemente ocasionava muitos conflitos interiores. Às vezes, quando vinte mil pessoas estavam diante de mim, eu não tinha uma só palavra para dizer, quer a Deus ou a eles. Mas eu nunca fui totalmente desamparado, e freqüentemente (porque negar isto seria mentir contra Deus) fui de tal modo assistido, que vim a saber, por uma feliz experiência, o que o nosso Senhor tencionava ao dizer ‘do seu interior fluirão rios de água viva'. O firmamento aberto sobre mim, a vista dos campos adjacentes, com a visão de milhares, alguns em carroças, outros sobre o dorso de cavalos, e alguns nas árvores, e às vezes, todos comovidos e em lágrimas, era quase que demais para mim e dominava-me totalmente.'
Dois meses depois disto Whitefield iniciou a prática de pregação a céu aberto em Londres, no dia 27 de abril de 1739. As circunstâncias nas quais isto aconteceu foram curiosas. Ele havia ido para Islington para pregar a convite do vigário, seu amigo, Sr. Stonehouse. No meio da oração os guardiões da igreja vieram a ele e pediram sua licença para pregar na diocese de Londres. E claro que Whitefield não tinha esta licença, assim como nenhum outro ministro que não oficiava regularmente na diocese, naqueles dias. O resultado da questão foi que, sendo proibido de pregar pelos guardiões da igreja no púlpito, ele foi para fora depois da comunhão e pregou no cemitério da igreja. ‘E', diz ele, ‘Deus agradou-se em assistir-me na pregação e a comover tão maravilhosamente os ouvintes, que acredito que poderíamos ter ido para a prisão cantando hinos. Não digam os adversários que eu mesmo me retirei das suas sinagogas. Não! Eles me expulsaram.' Daquele dia em diante ele tomou-se um constante pregador do campo quando quer que o tempo e a estação do ano o fizesse possível. Dois dias depois, no domingo de 29 de abril, ele registra: ‘Eu preguei em Moorfields a uma multidão extremamente grande. Tendo ficado debilitado pelo meu sermão da manhã, eu descansei de tarde dormindo um pouco, e às cinco horas fui e preguei em Kenninngton Common, à cerca de duas milhas de Londres, quando não menos do que trinta mil pessoas foram estimadas estar presentes'. Daí em diante, aonde quer que houvesse amplos espaços abertos ao redor de Londres, aonde quer que houvesse grandes grupos de ociosos, ímpios, profanadores do domingo reunidos, em Hackney Fields, Mary-le-bone Fields, May-Fair, Smithfields, Blackheath, Moorfields, Kenninngton Conmion, lá estava Whitefield levantando sua voz por Cristo. O Evangelho assim proclamado era ouvido e alegremente recebido por centenas que nunca sonharam em ir a um lugar de adoração. A causa da pura religião avançou e almas foram arrancadas das mãos de Satanás, como brasas do fogo. Mas a coisa estava indo rápido demais para a igreja daqueles dias. O clero, com poucas exceções, recusava inteiramente apoiar este estranho pregador. Com um espírito de verdadeira inveja, eles nem gostavam de ir atrás das massas da população semi-pagã, nem queriam que ninguém fosse fazer o trabalho para eles. A conseqüência foi que as pregações de Whitefield nos púlpitos da Igreja da Inglaterra a partir deste tempo cessaram quase que inteiramente. Ele amava a igreja na qual havia sido ordenado; ele gloriava-se nos seus artigos de fé; ele usava com prazer os seus livros de oração. Mas a igreja não o amava, e assim perdeu o uso dos seus serviços. A pura verdade é, que a igreja da Inglaterra daqueles dias não estava pronta para um homem como Whitefield. A igreja estava sonolenta demais para entendê-lo e incomodada com um homem que não se aquietava nem deixava o diabo em paz.
Os acontecimentos da história de Whitefield a partir deste período até o dia da sua morte são quase que inteiramente da mesma compleição. Um ano era exatamente como o outro e tentar segui-lo seria apenas pisar repetidamente sobre o mesmo solo. De 1739 até o ano da sua morte em 1770, um período de 31 anos, sua vida foi de uma desenvoltura uniforme. Ele foi eminentemente um homem de uma só coisa, que era o cuidado dos negócios de seu Mestre. De domingo de manhã aos sábados à noite, de primeiro de janeiro a 31 de dezembro, excetuando-se quando ficava impossibilitado por doença, ele estava quase que incessantemente pregando a Cristo, e indo ao redor do mundo convidando os homens ao arrependimento, a virem a Cristo e a serem salvos. Dificilmente houve uma cidade de considerável tamanho na Inglaterra, Escócia ou País de Gales, que ele não tenha visitado como evangelista. Quando as igrejas lhe estavam abertas, ele pregava alegremente nas igrejas; quando apenas capelas podiam ser conseguidas, ele pregava com alegria nas capelas. Quando igrejas e capelas estavam ambas fechadas, ou eram demasiadamente pequenas para conter seus ouvintes, ele estava pronto e desejoso de pregar ao ar livre. Por 31 anos ele laborou deste modo, sempre proclamando o mesmo Evangelho glorioso, e sempre, até onde os olhos humanos possam julgar, com imenso efeito. Numa única semana de pentecostes, após pregar em Moorfields, ele recebeu cerca de mil cartas de pessoas espiritualmente aflitas, e admitiu à mesa do Senhor trezentos e cinqüenta pessoas. Nos trinta e quatro anos do seu ministério é reconhecido que ele pregou publicamente dezoito mil vezes.
Suas viagens foram prodigiosas, quando consideradas as ruas e meios de transportes do seu tempo. Mais do que qualquer homem nos tempos modernos, ele estava familiarizado com ‘perigos no deserto e perigos no mar'. Ele visitou a Escócia quatorze vezes e em nenhum outro lugar foi mais bem aceito e útil do que naquele país amante da Bíblia. Ele cruzou o Atlântico sete vezes, de ida e de volta, em miseráveis e lentos barcos a vela e atraiu a atenção de milhares em Boston, New York e Philadelphia. Ele foi à Irlanda duas vezes, e em determinada ocasião quase foi assassinado por uma turba de papistas ignorantes em Dublin. Na Inglaterra e no País de Gales, ele percorreu cada um de seus condados, da Ilha de Wight até Berwick-on-Thiid, e da Land's End até North Foreland.
O seu trabalho ministerial regular em Londres durante a estação de inverno, quando a pregação no campo era necessariamente suspensa, era, às vezes, prodigioso. Seus compromissos semanais no Tabernáculo em Tottenham Court Road, o qual foi construído por ele quando os púlpitos da igreja estabelecida foram fechados, compreendiam os seguintes trabalhos: cada domingo de manhã ele ministrava a Ceia do Senhor a diversas centenas de comungantes, às seis e meia. Depois disso, ele lia orações, e pregava de manhã e de tarde. Então pregava novamente no início da noite, às cinco e meia, e concluía dirigindo-se a um largo grupo de viúvas, casais, homens e mulheres solteiros, todos sentados separadamente na área do Tabernáculo, com exortações apropriadas às suas respectivas situações. Nas manhãs de segunda, terça, quarta e quinta, ele pregava regularmente às seis horas. Nas tardes de segunda, terça, quarta, quinta e sábado, ele fazia palestras. Isto, pode-se observar, perfazia treze sermões por semana. E durante todo este tempo ele mantinha uma ampla correspondência com pessoas em quase toda parte do mundo.
Que qualquer constituição humana pudesse suportar os labores que Whitefield suportou durante tanto tempo, parece surpreendente. Que sua vida não tenha sido ceifada pelos perigos aos quais estava freqüentemente exposto, não é menos surpreendente. Mas ele foi imortal até que seu trabalho fosse realizado. Por fim , ele morreu subitamente em Newbury Porth, na América do Norte, num domingo, 29 de setembro de 1770, ainda relativamente novo, com 56 anos de idade. Ele foi casado com uma viúva chamada James, de Abergavenny, a qual morreu antes dele. Se podemos julgar pela pouca menção que ele faz da esposa em suas cartas, o casamento não parece ter contribuído muito para sua felicidade. Ele não deixou filhos, mas deixou um nome bem melhor preservado do que se tivesse deixado filhos e filhas. Talvez nunca tenha havido um homem do qual se pudesse dizer tão verdadeiramente que gastou e foi gasto por Cristo como George Whitefield.
As circunstâncias particulares do fim deste grande evangelista são tão profundamente interessantes que eu não me desculparei em demorar-me neles. Foi um fim em extraordinária harmonia com o teor da sua vida. Assim como havia vivido por mais de trinta anos, assim ele morreu: pregando até o fim . Ele literalmente morreu no posto. ‘Morte súbita', freqüentemente dizia, ‘é glória súbita. Quer correto ou não, não posso deixar de desejar partir desta maneira. Para mim seria pior do que a morte ter de ser assistido na doença e ver os amigos chorando ao redor de mim'. Ele teve o desejo do seu coração atendido. Foi ceifado numa noite por um acesso espasmódico de asma, quase que antes que seus amigos viessem a saber que se encontrava doente.
Na manhã de sábado, de 29 de setembro, o dia em cuja noite morreria, Whitefield viajou a cavalo de Portsmouth em New Hampshire, a fim de cumprir um compromisso de pregar em Newbury Porth no domingo. No caminho , infelizmente, ele foi convidado insistentemente para pregar em um lugar chamado Exeter, e apesar de se sentir muito doente, não teve coragem de recusar. Um amigo observou que antes de iniciar a pregação, ele parecia mais indisposto do que o usual, e lhe disse, ‘O senhor está mais habilitado para ir para cama do que para pregar.', ao que Whitefield replicou: ‘É verdade, senhor', e então, virando-se para o lado, apertou as mãos uma na outra e olhando para cima disse: ‘Senhor Jesus, eu estou cansado na tua obra, mas não da tua obra. Se ainda não terminei minha carreira, deixa-me ir e pregar uma vez mais nos campos, selar a tua verdade, vir para casa e morrer'. Então ele foi e pregou a uma enorme multidão nos campos, baseado em II Coríntios 8:5 , pelo espaço de quase duas horas. Foi seu último sermão, e uma conclusão apropriada a toda a sua carreira.
Uma testemunha ocular deu o surpreendente relato da cena final da vida de Whitefield: “Ele levantou-se de sua cadeira, e permaneceu em pé. A sua simples aparência era um poderoso sermão. A magreza de sua face, a palidez do seu semblante, a luta evidente do brilho celestial em um corpo decadente demais para falar, era algo profundamente interessante; o espírito estava querendo, mas a carne estava morrendo. Nesta situação ele permaneceu por diversos minutos, sem conseguir falar. Então ele disse: ‘Esperarei pela graciosa assistência de Deus, porque Ele irá, estou certo, assistir-me uma vez mais para falar em seu nome.' Então ele pregou talvez um de seus melhores sermões. A parte final continha as seguintes palavras: ‘Eu vou; eu vou para um descanso que me está preparado. O meu Sol deu luz a muitos, mas agora ele está se pondo - não, agora ele está se levantando para o zênite da glória imortal. Eu vivi mais do que muitos na terra, mas eles não viverão mais do que eu nos céus. Muitos viverão mais do que eu na terra, e permanecerão quando este corpo não mais existir, mas lá, oh, pensamentos divinos!, eu estarei num mundo aonde tempo, idade, doença, e sofrimentos são desconhecidos, o meu corpo agora falha, mas o meu espírito se expande. Como eu desejaria viver para sempre para pregar a Cristo. Mas eu morro para estar com Ele. Quão breve - comparativamente breve - foi a minha vida comparada com os imensos labores os quais eu vejo diante de mim ainda não realizados. Mas se eu partir agora, enquanto ainda tão poucos preocupam-se com as coisas celestiais, o Deus da Paz certamente visitará vocês'”. Depois que o sermão terminou, Whitefield jantou com um amigo, então cavalgou para Newbury Porth, apesar de bastante fatigado. Ao chegar ali, ele ceou cedo e retirou-se para a cama. A tradição diz que quando ele subia as escadas com uma vela acesa nas mãos, ele não pôde resistir ao desejo de voltar o rosto, no topo da escada, e falar aos amigos que estavam reunidos, os quais vieram encontrá-lo. Enquanto ele falava, o fogo brilhava dentro dele, e antes que pudesse concluir, a vela que segurava nas mãos queimou até o fim. Ele retirou-se para o seu quarto para não mais sair de lá com vida. Um violento acesso de asma se apoderou dele logo depois que foi para a cama e antes das seis da manhã, o grande pregador estava morto. Quando chegou a hora, ele não tinha nada para fazer a não ser morrer. Onde ele morreu, aí foi enterrado, em uma câmara mortuária abaixo do púlpito da igreja, onde ele estava comprometido para pregar. O seu sepulcro é visto até o dia de hoje e nada faz a pequena cidade onde morreu tão famosa quanto o fato de que ali estão os ossos de George Whitefield.
*Traduzido por Paulo R. B. Anglada, a partir de J. C. Ryle, Christian Leaders of 18th. Century (reprint, Edinburgh and Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1978), 149-79. Revisado por Cláudio Vilhena e Emir Bemerguy Filho.

7. Estou pensando em começar um relacionamento, como devo proceder?


É importante ter em mente a resposta da pergunta três, saber se a pessoa é realmente cristã é o mais importante, para isso algumas coisas podem ajudar: a pessoa não deve ser nova na fé (ver Lc 8.13, Mt 10.22)[1]; deve demonstrar frutos que levem Deus ser glorificado (Mt 5.16)[2], deve tratar com respeito aos pais (Ef 6.1-3, Ex 20.12)[3], e obedecer as lideranças da igreja (Hb 13.17)[4].
Ore (Fp 4.6)[5], coloque diante de Deus suas preocupações em relação ao namoro. Não seja ansioso e precipitado a conversar com a pessoa  que você pretende namorar (Pv 19.2)[6], antes tenha com ela um relacionamento de amizade, para que vocês se conheçam melhor. É importante lembrar que cabe ao homem cortejar e conquistar a mulher (Gn 2.24)[7], portanto cabe ao homem tomar a iniciativa em relação a iniciar o namoro, fazer a “corte”. Orar juntos antes, pode ser bom para que se tomem essas decisões com bastante sabedoria.
Autor: Ivan Junior


[1] “A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a Palavra, a recebem com alegria; estes não tem raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam.” “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo”
[2] “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”
[3] “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra teu pai e tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra” “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”
[4] “Obedeceis aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”
[5] “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.”
[6] “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado”
[7] “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.”

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Cristão e seu Divertimento (Papai, posso ir ao show?) - Solano portela


Muitos pais e jovens se veem confrontados com a pergunta - é certo uma pessoa crente frequentar um show de artistas internacionais, ou de qualquer outro "ídolo" nacional ou internacional. 
Para alguns filhos de Deus, a resposta é um "não" claro. Para outros, especialmente os mais jovens, a solução não é tão óbvia e a falta de concordância certamente tem trazido conflitos para muitos dos nossos lares e reuniões de igreja.
"Posso ir ...?  Devo fazer...? Me deixa comprar...? Me permita assistir...?   Pais e filhos estão se vendo com a difícil tarefa de distinguir o certo do errado num mundo que anuncia a todos que não existem absolutos e que tudo é válido se nos der prazer.
Além disto, vivemos numa sociedade transformada pelo "progresso" eletrónico e informático. As nossas famílias vivem cercadas por inúmeras opções de recreação. As regras do passado, para a vida cristã, muitas vezes parecem ultrapassadas ou irrelevantes.
Na tentativa de responder às solicitações dos seus filhos, os pais imediatamente constatam que a Bíblia não fala especificamente sobre os shows e discos de ídolos musicais. Ela não faz referência ao humor do Chico Anysio e ao "rock evangélico" do Grupo  Katsbarnea.  A maioria dos esportes tão "venerados" no nosso Brasil não está citada alí. Não encontramos nas suas páginas, as estrelas esportivas como Ayrton Senna da Fórmula 1,  Hortência, do basquete,  Giovanne da nossa seleção de volei e Romário do futebol. Também não são mencionadas os filmes nas locadoras de vídeo, os teatros, os clubes, os programas de televisão, os videogames, e as revistas e os livros que nos são oferecidos diariamente.[1]
Será então que a Bíblia ainda pode nos guiar na determinação da nossa atitude com relação a estas coisas?
O peso destas decisões deve cair sobre cada jovem e não somente sobre os pais. Cada crente tem a responsabilidade de fazer escolhas conscientes. (Frequentemente, a tendência é de se ressentir das restrições impostas pelos pais. Sentindo-se vítimas dos "caprichos" ou "manias" destes, adotam uma atitude de rebeldia e descontentamento.)
Em Romanos 14:12, Paulo afirma, "Cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." Ele está comentando o problema de pessoas que estavam tentando determinar o certo e o errado com relação a coisas não claramente explicadas por Deus, na sua revelação.
A conclusão dele é importantíssima!  Ele escreve, "Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, é condenado, ... porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado."
Dito de maneira positiva, isto significa que os jovens que professam ser filhos de Deus têm que ter certeza  absoluta que alguma coisa tem a aprovação de Deus, antes de fazê-la.  Enquanto não existir aquela certeza, aquilo permanece sendo pecado. Sempre! Assim sendo, é possível eu pecar fazendo algo que não é pecado em si! 
Como o jovem, e seus pais, conseguirão escolher os seus divertimentos, sem ofender a Deus? Mesmo que a Bíblia nao fale especificamente sobre as diversões oferecidas aos crentes às vésperas  do século XXI, ela possui diretrizes seguras. Os pensamentos que se seguem são endereçados às pessoas que professam serem filhas do Deus vivo.
Estes princípios são básicos para nossa compreensão e decisões:
A . Deus existe. Ele é a fonte do "bem." Quem crê nEle sabe que existe o "certo." Ele nos criou com capacidade e desejo de movimentar, brincar, rir, criar, descobrir, inventar e apreciar, além de trabalhar.
B . Satanás existe. Ele é a fonte do "mal". O que ele nos sugere é o "errado." Pode se transformar num "Anjo de Luz" e faz de tudo para nos enganar e tornar o pecado atraente. Ele procura conhecer nossas fraquezas e prepara as suas armadilhas.
C . A Bíblia é a pura verdade. Contém as diretrizes necessárias para as nossa vidas. Nela encontramos exatamente o que Deus permite (o "certo") e o que Deus proibe (o "errado").  Vejamos algumas das permissões e proibições da Palavra de Deus:
Permissões . Criados à imagem de Deus, temos a sua permissão  para "dominar" e "usufruir"  "todas as coisas"(-Hb 2:8) Em nossas escolhas, é preciso assegurar que procuremos:
1. Propósito de Vida. Quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazeitudo para a glória de Deus.-I Coríntios 10:31
2. Pensamentos disciplinados. ...tudoo que é verdadeiro, ...respeitável, ...justo, ...puro,... amável, ... de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.-Filip 4:8
3. Pureza. ... Deus não nos chamou para a impureza. -I Tess 4:3-7.
4. Presença de Deus no ambiente em que nos encontramos. Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons. -Provérbios 15:3
5. Piedade. Grande fonte de lucro é a piedade com contentamento.-I Tim 6:6
Proibições. Tudo que  é especificamente proíbido por Deus na Sua Palavra, é pecado, e deve ser evitado em nossa vida e nos divertimentos! Nesta categoria encontramos:
1. A Profanação.  Evita... os falatórios ...profanos...-2 Tm  2:16, 17.
2. Palavrões e Palavras Obscenas Despojai-vos de ... linguagem obscena do vosso falar. -Col 3:8 (lembram-se de algum "show" recente que foi destacado pela imprensa, justamente por usar e fazer todos repetirem palavrões?)
3. A Perversidade- Afasta de ti a perversidade dos lábios. -Pv 4:24.
4. Promiscuidade, Prostituição, Pornografia. Não vos enganeis: nem im-puros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, ... herdarão o reino de Deus. -I Co 6:9 Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo o detestarás, e de todo a  abominarás, pois é amaldiçoada. -Dt. 7:26
5. Paixões "carnais"No tempo que vos resta na carne já não vivais de acordo com as paixões dos homens; ... em dissoluções, ... orgias, bebedices...-I Pe 4:2,3.
6. Práticas de feitiçaria. Os participantes não herdam o reino de Deus.-Gl 5:20,21.
7. Perigos desnecessários. O vosso corpo é santuário do Espírito Santo.-Filip 1:20
8. Passatempos violentos.O amor não pratica o mal contra o próximo.-Rm 13:9
Confronte sempre os seus divertimentos com as diretrizes acima e peça a ajuda de Deus para fazer as modificações necessárias. Lembre-se, porém, que mesmo que não haja uma proibição específica, nossas ações podem ser erradas em função de certas circunstâncias. 
Acontece, muitas vezes, que uma opção de lazer poderá ser comprovadamente permitida por Deus, e ainda assim tenha que ser evitada. Em certas circunstâncias, é possível pecar fazendo algo que não é pecado em sí!  Paulo escreveu aos Coríntios-Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém; todas são lícitas, mas nem todas edificam.-I Co 10:23. Em que ocasiões, então, o filho de Deus deve se abster?
1. Persistência de Dúvidas. Será que isto não é mesmo pecado? A nossa responsabilidade é individual. Os crentes que nos cercam podem achar nada demais assistir a um certo espetáculo mas nós mesmos não podemos ir enquanto permanecer qualquer dúvida em nossa mente! ...Aquele que tem dúvidas é condenado, se (fizer).-Rm 14:23 
2. Primazia Divina. O meu lazer vai interferir com a minha comunhão com Deus? Quantas vezes não chegamos no fim do dia sem ter gasto um único momento com Deus? No nosso dia a dia, a televisão, o telefone, as fitas de vídeo, as "revistinhas" e os videogames dominam os momentos livres. Será que o tempo para reunir a nossa família para uma leitura bíblica realmente não existe ou será que nós o substituímos?!  Corremos atrás das alegrias e felicidade que o mundo nos oferece sem considerar o Criador do gôzo verdadeiro. Ele quer ser considerado e amado em todos os momentos. Alegrai-vos sempre no Senhor!-Filip 4:4.Bem-aventurado o homem (cujo) prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.-Salmo 1:1,2
3. Prioridade ao "Próximo".  Será que vou escandalizar alguém?Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim, o de outrem.-I Co 23,24. Nenhum de nós vive para si mesmo.-Rm 14:7 Isto se aplica a todos que nos cercam, dentro e fora da igreja!Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tão pouco para a igreja de Deus-I Co 10:32. Até a nossa influência nas crianças tem que ser considerada-E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que ... fosse lançado no mar!-Mc 9:42
a. O Parecer dos Irmãos. Se um irmão na fé se ofender com o que fazemos, devemos considerá-lo. ...Tomai o propósito de não pordes tropeço ou escandalo ao vosso irmão... Se (ele) se entristece, já não andas segundo o amor ...-Rm 14:13,15 Até a aparência do mal deve ser evitada (I Ts 5:22).
b. O Preconceito do Mundo. As pessoas descrentes ao nosso redor nos fiscalizam com base naquilo que acham que a nossa fé nos ensina. Não devemos confundi-los. Se algum dentre os incrédulos ...vos disser-Isto é coisa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos advertiu....-I Co 10:27, 28.
4. Permissão dos Pais. E se meus pais se opõem? Enquanto moramos ou lidamos diretamente com eles, temos que obedecê-los, com respeito total. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais.-Co 3:20. Honra a teu pai e a tua mãe.-Ex 20:12 Declarações como "A vida é minha, fique na sua...!" não têm vez na boca do crente jovem.
5. Participantes. Quem vai estar lá?Uma programação legítima pode se tornar indesejável por causa do mau testemunho daqueles que a promovem ou que dela participam. Que harmonia (pode haver) entre Cristo e o Maligno; ou que união do crente com o incrédulo?-2 Co 6:15,16. Não sejais participantes com eles...-Ef 5:7
6. Preço Proibitivo. Quanto é que vai me custar? O nosso dinheiro vem de Deus. Somos responsáveis pela maneira em que utilizamos cada centavo. Não devemos nunca "adiar" o pagamento de uma dívida ou criar novas dívidas impensadamente por causa de uns momentos de prazer. Roubar para pagar, nem pensar! E aqueles que tem dinheiro "sobrando" tem que se lembrar que devem ser generosos em dar e prontos a repartir.-I Tm 6:18. As carências são tão grandes, no nosso pobre Brasil! 
7. Problemas com o Domínio Próprio. Um bom passatempo pode se tornar um vício quando a vontade de fazê-lo predominar sobro o nosso senso de dever, e acaba prejudicando algo ou alguém. Falando da nossa luta contra as tentações, Jesus sugeriu medidas drásticas. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.-Mt 5:30. A advertência é séria. Temos que nos libertar de tudo que nos atrapalha na nossa vida cristã, usando o domínio próprio ou por afastamento.  
Uma palavra aos jovens. As escolhas corretas se baseiam no amor-ao nosso querido Pai celestial, aos pais, ao próximo, e a nós próprios. O amor ao seu Deus deve fazer com que os pais zelem pelo comportamento dos filhos. Ao mesmo tempo, porém, eles estão lhes preparando para assumirem iniciativa e responsabilidades independentes.  Na hora em que eles observam que este amor está se revelando nas suas atittudes e avaliações, eles vão poder começar a lhes dar a mesma liberdade que eles já têm-liberdade de serem servos uns dos outros, pelo amor!-Gl 5:13.
Original: Aqui


[1] Esse texto foi escrito há algum tempo, esses não são mais os ídolos do nosso tempo, mas de qualquer forma os ídolos do nosso tempo não são tão diferentes desses.

Crentes Temporários - Lloyd-Jones



(...)
Há uma discussão a esse respeito[1] em II Pedro 2, onde o apóstolo, descreve tais casos de maneira clara. Ele refere-se a certas pessoas que tinham penetrado na igreja e que passaram a ser aceitas como crentes, mas que finalmente, se haviam afastado do caminho. E ele então as descreveu mediante as seguintes palavras. “O cão voltou ao seu próprio vômito; e: a porca lavada voltou-se a revolver no lamaçal” (v.22). É fácil perceber o que acontece. Utilizando-nos dessa ilustração, até uma porca pode ser lavada; e então, à superfície, ela pode parecer um animal limpo; entretanto, não terá havido nela qualquer transformação de sua natureza. Isso se torna ainda mais patente quando comparamos o que o mesmo apóstolo declara no versículo 4 do capítulo 1 dessa mesma epístola. Afirma ele que o crente foi libertado “... da corrupção das paixões que há no mundo...” Todavia, quando Pedro passa a falar dos crentes temporários, no segundo capítulo ele diz que eles foram lavados – não da “corrupção”, e, sim, das “...contaminações...” (v.20). Há uma espécie de lavagem superficial, que não foi suficiente, entretanto, para alterar a natureza íntima do indivíduo. A lavagem é de real valor, mas também pode dar motivos a grandes equívocos. O indivíduo que só foi superficialmente lavado, pode dar toda a impressão de ser um verdadeiro crente. Não obstante, segundo o argumento de nosso Senhor[2], o que realmente decide se ele é crente ou não é a natureza íntima de cada indivíduo. E essa natureza íntima inevitavelmente acaba se manifestando externamente.
(...)
Fonte: LLOYD-JONES, D.M. Estudos no sermão do monte. São Jose dos Campos: Editora Fiel. 4º Ed. 1999. p. 529.


[1] Lloyd-Jones está falando sobre “crentes temporários”, pessoas que parecem ter caído a influência do evangelho, que passam a dizer as coisas certas e até se verifica certa transformação em suas vidas, mas que com tempo dão evidência de que nunca se tornarão verdadeiros crentes de forma alguma.
[2] Lloyd-Jones refere-se ao que Cristo fala em Mateus 7.16b-20.

Biografia George Whitefield – J. C. Ryle (Parte 4)



Quais foram os homens que reavivaram a religião na Inglaterra há cem anos atrás? Quais foram seus nomes, a fim de que possamos honrá-los? Onde eles nasceram? Como foram educados? Quais são os fatos mais importantes nas suas vidas? Qual foi a área especial em que trabalharam? A estas questões eu desejo fornecer algumas respostas no presente e nos subseqüentes capítulos.
Eu tenho pena do homem que não tem interesse nestas perguntas. Os instrumentos que Deus emprega para fazer a sua obra no mundo merecem um cuidadoso exame. O homem que não se incomoda em olhar para os chifres de carneiro que derrubaram Jericó, para o martelo e estaca que mataram Sísera, para as tochas e trombetas de Gideão, para a funda e pedra de Davi, pode muito bem ser considerado como uma pessoa fria e sem coração. Eu estou certo de que todos os que lerem este volume gostarão de conhecer alguma coisa a respeito dos evangelistas ingleses do século dezoito.
O primeiro que mencionarei é o bem conhecido George Whitefield. Embora não seja o primeiro em ordem, se olharmos para a data de seu nascimento, eu o coloco como primeiro quanto aos méritos, sem nenhuma hesitação. De todos os heróis espirituais de cem anos atrás, nenhum compreendeu tão cedo quanto Whitefield, as demandas de seu tempo, e ninguém estava tão na dianteira na grande obra de ofensiva espiritual. Eu penso que cometeria uma injustiça se colocasse qualquer outro nome na frente do seu.
Whitefield nasceu em Gloucester, no ano de 1714. Esta venerável cidade, que foi o lugar de seu nascimento, está ligada com mais de um nome que deveria ser querido a todo amante da verdade protestante . Tyndal, um dos primeiros e mais capazes tradutores da Bíblia inglesa, também nasceu em Gloucester. Hooper, um dos maiores e melhores dos nossos reformadores ingleses, foi bispo de Gloucester, e foi queimado na fogueira por causa da verdade de Cristo, diante da sua própria igreja, no reinado da Rainha Maria. No século seguinte, Miles Smith, Bispo de Gloucester, foi um dos primeiros a protestar contra os procedimentos romanizadores de Laud, o qual era então Deão de Gloucester. Na verdade, ele ia tão longe nos seus sentimentos protestantes que quando Laud moveu a mesa de comunhão da catedral para o lado direito, e a colocou pela primeira vez do lado oposto do altar, em 1616, o Bispo Smith ficou tão ofendido que se recusou a entrar na catedral a partir daquele dia até a sua morte. Lugares como Gloucester, não podemos duvidar, têm vinculados a si uma rica herança de muitas orações. A cidade aonde Hooper pregou e orou, e onde o zeloso Miles Smith protestou, foi o lugar onde nasceu o maior pregador do Evangelho que a Inglaterra jamais viu.
Como muitos outros homens famosos, Whitefield era de origem humilde, e não gozava de conhecimento de pessoas ricas ou nobres para ajudá-lo a ir avante no mundo. Sua mãe possuía a hospedaria Bell em Gloucester, e parece que não prosperou no negócio. De qualquer modo, parece que ela nunca teve condições de fazer nada para que Whitefield avançasse na vida. A hospedaria ainda existe, e é tida como o lugar de nascimento não apenas do nosso maior pregador inglês, mas também de um bem conhecido prelado inglês: Henry Philpot, Bispo de Exeter.
O início da vida de Whitefield, de acordo com seu próprio relato, foi tudo, menos religioso, embora, como muitas crianças, ele tivesse ocasionais fisgadas de consciência e afetos espasmódicos de sentimentos de devoção. Mas, os hábitos e os gostos em geral são o único teste verdadeiro dos caracteres dos jovens. Ele confessa que era ‘dado à mentira, conversa obscena, galhofa tola', e que era um ‘profanador do domingo, freqüentador de teatro, jogador de cartas e leitor de romances '. Tudo isso, diz ele, continuou até a idade de quinze anos.
Pobre como era, sua residência em Gloucester lhe proporcionou a vantagem de uma boa educação na escola pública secundária da cidade. Aí ele foi um estudante externo até a idade de 15 anos. Nada é conhecido a respeito do seu progresso aí. Entretanto, ele dificilmente deve ter sido ocioso, pois neste caso não estaria pronto para ingressar na universidade logo depois, com a idade de 18 anos. Além disso, suas cartas mostram uma familiaridade com o latim, através de freqüentes citações, o que dificilmente seria conseguido se não houvesse aprendido na escola. O único fato conhecido a respeito dos seus dias na escola é o fato curioso de que ele era notável por sua elocução e memória, e foi selecionado para recitar discursos diante da Corporação de Gloucester quando da sua visita anual à Escola Secundária.
Com a idade de 15 anos Whitefield deixou a escola, e parece ter abandonado o latim e o grego por um tempo. Com toda a probabilidade, as difíceis circunstâncias financeiras de sua mãe tornaram absolutamente necessário que ele fizesse alguma coisa para ajudá-la no seu negócio e que ganhasse o seu próprio sustento. Assim, ele começou a ajudá-la no serviço diário de sua hospedagem. ‘Finalmente,' diz ele, ‘eu coloquei o meu avental azul, lavei copos, limpei salas e, em uma palavra, tornei-me um zelador declarado durante um ano e meio.'
Este estado de coisas, entretanto, não durou muito; o negócio da sua mãe na hospedaria não floresceu e ela finalmente aposentou-se totalmente. Um antigo colega de escola reavivou em sua mente a idéia de ir para Oxford, e ele voltou para os bancos da Escola Secundária reiniciando seus estudos. Alguns amigos que estavam interessados por ele se levantaram no Pembroke College, em Oxford, onde a Escola Secundária de Gloucester fez duas exibições. Finalmente, após diversas circunstâncias providenciais terem suavizado o caminho, ele ingressou em Oxford como um servente no Pembroke College com a idade de 18 anos.
O período em que Whitefield residiu em Oxford foi o momento crucial na sua vida. O seu jornal nos diz que durante os dois ou três anos que antecederam a sua ida para a Universidade, ele não esteve isento de convicções religiosas. Mas, a partir do momento em que ingressou no Pembroke College, estas convicções rapidamente amadureceram em direção a um cristianismo convicto. Ele fazia uso diligente de todos os meios de graça ao seu alcance. Ele gastava seus tempos vagos visitando a prisão da cidade, lendo para os prisioneiros, e tentando fazer o bem. Ele conheceu os famosos John Wesley, seu irmão Charles Wesley, e um pequeno grupo de jovens do mesmo pensamento, incluindo o conhecido autor de ‘Theron and Aspasion,' James Hervey. Este era o devotado grupo aos quais o termo ‘metodistas' foi aplicado pela primeira vez, por causa do seu ‘método' estrito de viver. Num certo período da sua vida, Whitefield parece ter devorado com prazer livros como: ‘Thomas à Kempis', e, ‘O Combate Espiritual de Castanuza', e ter estado em perigo de tornar-se um semi-papista, um ascético ou um místico, e de fazer da auto-negação o centro da religião. Ele diz em seu jornal: ‘Eu sempre escolhia o pior tipo de alimento. Eu jejuava duas vezes por semana; minha aparência era desprezível. Eu pensava que passar brilhantina no cabelo era impiedade. Eu usava luvas de lã, roupa remendada, e sapatos sujos; e pensei que estava convencido de que o reino não consiste em comida e bebida, mas ainda persistia resolutamente nestes atos voluntários de auto-negação, porque encontrava neles grande estímulo para a vida espiritual.' Ele foi gradualmente libertado de toda esta escuridão, em parte pelo conselho de um ou dois cristãos experientes, e em parte pela leitura de livros tais como: ‘A Vida de Deus no Coração do Homem' de Scougal, ‘Apelo Sério' de Law, ‘Apelo aos não Convertidos' de Baxter, ‘Alerta a Pecadores não Convertidos' de Alleine, o comentário de Matthew Henry. ‘Acima de tudo' diz ele, ‘tendo a minha mente agora mais aberta e alargada, eu comecei a ler as Sagradas Escrituras de joelhos, colocando de lado todos os outros livros e orando, se possível, sobre cada linha e palavra. Isto proveu alimento e bebida de fato para minha alma. Eu diariamente recebia vida fresca, luz e poder do alto. Eu obtive mais conhecimento verdadeiro da leitura do Livro de Deus em um mês do que jamais poderia adquirir de todos os escritos dos homens.' Uma vez ensinado a entender a gloriosa liberdade da graça de Cristo, Whitefield nunca mais voltou-se para o ascetismo, legalismo, misticismo, ou estranhas idéias da perfeição cristã. A experiência adquirida por meio de amargo conflito lhe foi muito valiosa. As doutrinas da livre graça uma vez plenamente aprendidas, lançaram profundas raízes no seu coração, e tornaram-se como se fosse osso do seu osso e carne da sua carne. De todo o pequeno grupo de metodistas de Oxford, nenhum parece ter se apossado tão cedo de uma clara visão do Evangelho de Cristo como ele o fez, e nenhum a guardou tão resolutamente até o fim.
*Traduzido por Paulo R. B. Anglada, a partir de J. C. Ryle, Christian Leaders of 18th. Century (reprint, Edinburgh and Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1978), 149-79. Revisado por Cláudio Vilhena e Emir Bemerguy Filho.

6. Me converti enquanto namorava uma pessoa não cristã, o que eu faço?



Assim como a resposta da questão 5, devemos lembra que ainda que o namoro vise o casamento, namoro não é casamento, portanto o conselho nesse caso não deve ser o mesmo do que uma pessoa que se converte já casado. Como a bíblia proíbe casamento entre cristãos e não cristãos (2 Co 6.14)[1], o namoro deve ser interrompido e antes de pensar em começar um relacionamento, deve se priorizar o crescimento na fé, e o aprendizado da Palavra. Se com o tempo a pessoa que anteriormente você namorava começar ir na igreja, e realmente mostrar frutos dignos de um cristão que levem as pessoas a glorificar a Deus (Mt 5.16)[2] você pode pensar em reatar o relacionamento, sempre com o cuidado de observar se a pessoa vai na igreja por uma mudança sincera, ou simplesmente por sua causa.
Nesses casos, pode ser que você tivesse relacionamento sexual com esse namorado(a), isso não significa que vocês sejam casados, casamento envolve deixar a casa da família e o convívio em uma outra casa com o conjugê  “Por isso deixa o homem pai e mãe e se une a sua mulher” (Gn 2.24). Você deve lembrar que “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Cor 5.17)” Portanto mesmo que você tivesse relações sexuais com essa pessoa não cristã, a não ser que você tenha abandonado a casa de seus pais, e more com o namorado(a) não se pode pensar em chamar esse relacionamento de casamento, e portanto ele deve ser desfeito, isso não será um divórcio.
Autor: Ivan Junior


[1] “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz contra as trevas?”
[2] “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”